
Deus é amor, mas nós não cremos nisto de verdade.
Na realidade quase sempre quando ouço algum Pregador confessar que Deus é amor,
a declaração se faz acompanhar de um “mas”, como se Deus ficasse incompleto
sendo amor. Seria como se Deus fosse “somente apenas amor”. Por isso, em geral,
quando se diz que Deus é amor, se acrescenta com um “mas também é”, que Deus é
sempre relacionado a “justiça e santidade”. A impressão que me dá é sempre a de
que se está tentando fazer Deus mais forte, mais parecido com a gente, que
somos juízes e santarados, de repente apenas crer que “Deus é amor” deixa tudo
livre, fora do nosso controle, sem a nossa ajuda ou necessidade, sem que
tenhamos que nos preocupar com nada... E nem nos deixa ao menos o ar da
vingança, da luta, da guerra, da defesa, da honra, da desonra, do juízo, da
verdade comprovada, do saber vaidoso, da conquista gloriosa. Mas “Deus é amor”
soa fraco, romântico, tirando-os do espírito de juízo e religiosidade, para o
nível do entendimento misericordioso, o que, para a maioria, é a tarefa mais
desagradável possível. Já alguns pregadores, desejam apresenta-Lo de uma
maneira a faze-Lo parecer semelhante a eles mesmos. Por essa razão Deus tem que
ser injusto, exigente, impiedoso, e interessado em dinheiro. Ora, isto tem que
ser assim porque simplesmente viver na graça do amor é um “caminho estreito”
demais para as naturezas auto-justificadas, e, sobretudo, para aqueles que de
fato nunca conheceram a Deus, que é amor.. Nós achamos que damos conta do
recado da justiça e da santidade, e fugimos do amor. Para nós amor só serve
para cantada, mas não é bom pra viver e conhecer. Todos temem o encontro
arrebatador com o amor! Por isso, sempre há o tal do “mas”. Deus é amor. E
Ponto Eterno! Jamais Parágrafo! Ele é amor, pois somente o amor é justo, posto
que somente Aquele que é amor a tudo discerne, e, portanto, é também Ele mesmo
Aquele que realiza a justiça como Justificação, visto que aquilo que já está
Entendido, também já está Justificado no próprio amor que o discerniu. Só não
justifica quem não viu com amor total, pois quem o fez, esse sempre encobre
multidão de pecados. Deus é amor, pois somente o amor julga sem passionalidade,
e a falta de passionalidade, sempre realiza, no mínimo, uma justiça elevadora,
pois no amor de Deus a justiça faz melhor até o justiçado. E o amor regozija-se
com a verdade. Ele é amor, pois somente o amor passa por todos os caminhos sem
se poluir com nada, e sem deixar que seu curso seja desviado por qualquer que
seja a tentativa, sendo, portanto, impoluível, e, indesviável; e, desse modo,
Santo, Santo, Santo. O amor de Deus não se alegra com a injustiça, por isto
jamais pune para sempre, pois, punir para sempre não é da natureza de Deus,
posto que não é amor, visto que seria uma justiça sádica e uma alegria injusta
praticar tal justiça, a menos que haja no tempo algum mal maior que o bem da
eternidade. No amor não existe medo porque o amor triunfa sobre qualquer juízo.
O amor tudo sofre, tudo crê e tudo suporta porque o amor já sabe o fim. O amor
vence! Deus é amor! Ponto Eterno! Bem-aventurado quem nada tiver a acrescentar!
