quinta-feira, 12 de julho de 2012

Não ao espinheiro.

O texto que segue abaixo é chamado de parábola de Jotão. Quem desejar pode lê-lo no livro de Juízes 9:7-15 na Bíblia. O espírito do texto é claro. Ele fala de como os seres qualificados, quase sempre, evadem-se de suas responsabilidades, de tal modo que é o espinheiro quem domina sobre a vida. Leia a parábola de Jotão.

“Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, para que Deus vos ouça a vós outros. Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à Oliveira: Reina tu sobre nós. Mas a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu azeite, que Deus e os homens em mim prezam, para ir balouçar sobre as árvores? Então disseram as árvores à Figueira: Vem tu, e reina sobre nós. Mas a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para ir balouçar sobre as árvores? Disseram então as árvores à Videira: Vem tu, e reina sobre nós. Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, para ir balouçar sobre as árvores? Então todas as árvores disseram ao Espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.”

O Espinheiro aceitou a tarefa, pois ele nunca perde tal oportunidade. Afinal, se não houver “limpeza”, a vocação dos espinheiros é abraçar a terra toda, e engolir as plantas. A Oliveira, a Figueira e a Videira não reclamaram desse reino na hora da decisão. As demais árvores da floresta também não. Porém, a tirania do Espinheiro se manifestou pela sua própria natureza.

O Espinheiro machuca mesmo quando não quer machucar: ele abraça com espinhos. Pode-se colher uvas de Espinheiros e figos de Abrolhos?  Encontro muitas pessoas frustradas. Sentem-se mal com a política que hoje é determinada pelos Espinheiros. Mas quando os que se angustiavam pelo destino das Árvores da Floresta procuraram a Oliveira, com sua unção de azeite; buscaram a Figueira, com sua unção de doçura; e pediram o socorro da Videira, com sua unção de alegria não aceitaram, elas acharam que o povo saberia a diferença entre o Espinheiro e as árvores frutíferas. Engano, o povo só sabe a diferença quando o abraço do Espinheiro já se fez poder e controle.

Que o Senhor desperte as Oliveiras de sua arrogância, as Figueiras de seu narcisismo, e as Videiras de sua alegria auto-centrada. Que reinem sobre nós os frutos da unção, da doçura e da alegria. Que o Espinheiro volte para o seu lugar. Chegou a hora de mudarmos o quadro.

“Pensar no futuro é pensar em você”, DANILO BARROS 65100


sexta-feira, 9 de março de 2012

Política e religião não se misturam!

Concordo. Nunca deveriam se misturar. Deveriam andar de mãos dadas. Elevar as duas ao mesmo nível como se fossem concorrentes é o grande erro. Afinal a primeira é uma ciência e a segunda uma prática de fé. Misturá-las pode ser muito perigoso, podendo desfigurar tanto uma como a outra. Caminhar juntas é, no entanto, uma questão natural. Foi-se o tempo em que a religião e as ciências eram inimigas. Isso é coisa do século passado. No século XXI poucos duvidam da importância da religião e não reconhecer as contribuições das ciências pode ser indício de insanidade. 

Você já se perguntou por que convivemos tão bem - religiosos ou não - com ciências como a matemática, a física, a engenharia, a medicina e tantas outras e desprezamos a ciência política, como se ela fosse herética. Será que essa mentalidade não foi semeada por aqueles que se deleitam com as benesses da política praticada a revelia dos eleitores? Não sei. Só sei que é possível ser praticante da religião sem abrir mão da responsabilidade de ser um protagonista político e social, um cidadão consciente e atuante.


Um grande abraço.