
Todas as vezes que agradeço livramentos
de Deus para comigo, na mesma gratidão do que sei que aconteceu incluo todos os
milhares de livramentos reais que nunca percebi.
Para cada livramento que vejo há
milhares de livramentos que não vejo e que provavelmente apenas conhecerei na
eternidade.
Muitas vezes me sinto como um retardado
que agradece ao Pai por cuidados pequenos e interessantes a mim, enquanto tudo
o mais é cuidado do Pai, embora eu somente veja os livramentos das barras
pesadas.
Entretanto,
o homem deve ser grato pelo menos pelo que veja...
Por isto todo dia agradeço ao Pai pelo
que vejo e também pelo que não enxergo, pois sei que a multidão dos livramentos
que recebo são maiores que minha própria ignorância, que é imensa.
Maiores
são os livramentos divinos que não vejo do que os que eu percebo.
Quando passamos a ser assim, daí em
diante, o que não nos faltará será gratidão no coração, há milhares de
livramentos invisíveis, que desconhecemos, mas que podemos ter certeza de terem
acontecido; pois o mundo que não vejo, para o bem e para o mal, é infinitamente
maior do que o mundo que vejo e percebo como real.
É a mesma coisa com o pecado oculto, para
cada pecado consciente que cometo ou me dou conta de ter cometido, há os
milhares de pecados que nem vejo, nem percebo ou nem mesmo discirno...Tamanha é
minha ignorância até mesmo acerca do meu pecado e do tamanho dele.
Do mesmo modo e talvez em extensão bem
maior, é o que acontece em relação ao livramento de Deus, que não somente é
maior do que o meu pecado, mas, sobretudo, é infinitamente maior do que a minha
percepção da própria Graça que eu recebo sempre. A Graça de Deus que é
maior do que eu consiga discernir.
Por
isto quem reclama e murmura peca de modo abominável!...
Sim, pois não vê tudo o de que já foi
livre e está sendo livre; e, muitas vezes, ignora coisas das quais se está
sendo livre até mesmo por meio daquilo que na hora se veja como algo não grato
e não agradável.
É
por causa de tantos livramentos invisíveis e de tantos livramentos visíveis...
que todo aquele que se torna ingrato e murmurador pratica algo mais abominável
do que feitiçaria e bruxaria.
Portanto, pare de reclamar... Pare de
se auto-vitimar... Pare de murmurar... Pare de apenas achar que a bondade de
Deus é o que nos seja visível e gostoso...
Pois
toda ingratidão murmuradora se torna como uma grande magia negra para a alma
daquele que a pratica.
Sem
gratidão pelo que se vê e pelo que se não vê... não existe a menor chance de
que alguém prove a alegria do amor de Deus em todas as coisas.
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